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The Walking Dead: unidade de narrativa

Chegou ao fim a primeira metade da sétima temporada de The Walking Dead e a novidade mais marcante é a queda da audiência. Sim, é natural que as temporadas apresentem quedas entre o primeiro capítulo e o último, mas a novidade é que desta fez nem o final de meio de temporada conseguiu inverter a queda, que também é a queda mais acentuada da série.

Há quem possa dizer que a violência do primeiro episódio e a morte de um dos personagens mais antigos da série (Glenn) possam ser a causa deste declínio. Há quem culpe os capítulos centrados em um personagem secundário e a ausência prolongada do Rick.

Mas a violência não é uma novidade. Nem a morte de algum personagem popular. Nem os episódios focados em algum personagem secundário sem o Rick. O que está acontecendo é uma estafa por conta dos truques baratos de narrativa e a falta de uma unidade da narrativa. A produção está pagando por tentar focar no impacto das cenas nos primeiros capítulos e finais (os famosos cliffhangers) e deixar de lado o recheio, que são os episódios intermediários, lentos e incapazes de desenvolver a história.

Qual é o grande problema disto? É que, isso é tão velho quanto os gregos, uma das principais formas de contar história e prender a audiência do público é seguir uma unidade narrativa que mostra uma progressão de eventos para o clímax. Você começa apresentando os personagens e os principais conflitos. Então, coloca-os em cena e faz com que a tensão progressivamente cresça. E enfim, busca a resolução.

Notou algo de estranho? É exatamente o que The Walking Dead não fez. Especialmente nesta temporada, o começo foi a resolução da temporada anterior (por conta de toda cortina de fumaça para esconder a morte de Glenn). Em seguida, novos personagens foram apresentados e um novo conflito : viver sob o domínio de Negan. Mas prestem atenção. Kingdom foi apresentado e mais nada. O episódio de Daryl não ajudou a apresentar os Saviors nem uma situação limite. A fuga de Daryl foi simples e curiosamente, apenas uma versão da falsa fuga que Negan preparou. O mesmo valeu para o pouco que foi acrescentado pelo episódio de Hilltop.

Assim, nos dois últimos episódios eles tiveram de correr para a trama para chegar ao clímax. Mas sem o conflito crescente no meio, a situação ficou parecendo forçada e é claro, a audiência pode saltar estes episódios e ir direto para o episódio final. Não é preciso acompanhar a trama.  Quando sair o DVD completo da temporada, é isso que será feito.

Existem muitos problemas como a falta de coerência dos personagens e do roteiro, mas é esse o motivo que está impedindo a audiência de ligar o pipocometro e continuar seguindo The Walking Dead: o caminho para a audiência seguir como boas ovelhas está todo picotado. Elas se perderam.

Engraçado pensar que um grego há muito tempo morto sabe o motivo pelo qual os mortos da TV não têm mais graça.

Não deixem de ouvir o X-Poilers. Podcast que participo falando de The Walking Dead e outras séries baseadas em Quadrinhos


#thewalkingdead #negan

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