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The Walking Dead x Legion: Finais de temporada

Na semana passada, tivemos dois finais de temporada. Curiosamente, temos algo de similar nelas (por exemplo, em ambas um personagem começa estando dentro de caixão e a nossa Lenny definitivamente se parece com um walker), mas isso é tudo que ambas têm em comum.

Legião

Este pode ter sido o episódio mais normal da série, mas Noah Hawley mostra o que é saber utilizar a linguagem audiovisual de maneira autoral. Nenhuma surpresa para quem acompanhou as duas temporadas de Fargo: ele decide qual será a linha estética que utilizará e assim, quais serão as referências e como os personagens se comportarão. No caso de Legião, é uma história sobre a linha que separa a realidade e aquela outra realidade que chamamos de imaginário. A trilha sonora psicodélica, especialmente Pink Floyd, combina com o tema. Usar de referência visual o final dos anos 60 e o começo dos anos 70 também. Até os poderes dos personagens lidam como o tema: telepatas capazes de alterar a realidade, reconstruir a memória, pessoas capazes de se tornar outras pessoas, ou uma pessoa que criou um amigo imaginário…

No episódio final, a série também nos lembra de que é sobre super-heróis. Temos combates e manifestação dos poderes como nunca, mas, além disto, o tema da perseguição dos mutantes, que é o tema básico das histórias do X-men é desenvolvido de forma que é criada toda expectativa na revolução que está por vir quando os mutantes se tornarem mais comuns. Nenhum dos filmes da franquia dos X-men ambientados no passado foi capaz de criar o questionamento que dividirias os diferentes campos em conflito no futuro.

Claro, fica a questão de como será a segunda temporada da série. Irá Noah Hawley construir outra identidade estética ou simplesmente dará continuidade a que funcionou nesta temporada? De qualquer forma, até os quadrinho se beneficiariam deste background desenvolvido pela série.

Porém…

The Walking Dead

Depois de uma temporada muito irregular, em que os produtores da série perderam uma metade sem saberem bem para onde ir, The Walking Dead recuperou um pouco de propósito com o desenvolvimento da resistência aos Saviors. Mas o dano está feito. Os vícios de narrativa como o uso sem propósito dos cliffhangers (ou talvez devemos parar de chamar de cliffhangers, uma vez que não há continuidade entre os episódios conduzidas pelas cenas finais) ou as “falsas mortes” dos personagens principais se tornaram uma zona de conforto que a série recorre e não parece querer fugir.

Tudo bem, depois das críticas massivas ao cliffhanger do final da temporada anterior, eles fizeram um baita esforço para não incluir um novo cliffhanger neste final. Existem pontas soltas, naturalmente, mas a expectativa passa a ser pela temporada que vem e toda a guerra aos Saviors e não pela resolução de uma cena final, o que do ponto de vista da narrativa é uma vantagem.

Mas a dificuldade de criar tensão quando todos os truques baratos foram usados e abusados é enorme. Ninguém acreditava que o Rick ou Carl morreria, muito menos a Michone, por exemplo. Como o menino que gritava lobo, os escritores da série foram devorados pela inteligência mínima que é necessária para acompanhar a série.

A série costuma se salvar quando Rick está no seu modo psicopata e pronto para a ação. Olhos esbugalhados como o David Banner fazia na série dos anos 70 antes de virar o Hulk, por que é uma série de ação. Os produtores têm dinheiro para manter uma equipe técnica competente para isso. Mas os escritores…

Pena, pena mesmo, que a próxima temporada de The Walking Dead chega antes de Legion. Mas, um consolo: a terceira temporada de Fargo está chegando.

 

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