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Wolverine: temos um filme

Nos anos 80, as revistas de super-heróis mudaram e um dos principais símbolos desta mudança foi o Wolverine. Ao contrário dos heróis da DC, que são representativos de ideais nobres, o Wolverine foi desenvolvido como um personagem com tantos defeitos quanto virtudes, mais violento e um pouco mais humano. O resultado é que a popularidade do personagem tornou-se tão grande que logo era explorada por diversos títulos: se a Marvel queria vender, colocava o Wolverine na capa.

Com isso o personagem, a princípio não muito poderoso, passou a participar de histórias demais e seu fator de cura praticamente tornou-se um fator de imortalidade. O Wolverine ficou chato e o excesso de exploração do personagem chegava a afetar os outros personagens do X-men, que eram relegados para o segundo plano. Os filmes acabaram seguindo o mesmo caminho e os filmes solo do Wolverine foram muito ruins.

Até agora.

A Fox parece ter descoberto duas coisas sobre os filmes de super-heróis:

1 – Esqueça os outros filmes. Isso mesmo: deixe o filme contar a sua própria história, sem se preocupar em se encaixar em uma mega-saga, mesmo por que os X-men de Bryan Singer estão presos em um loop chamado Fênix Negra. Funcionou com Deadpool e funciona com Logan.

2 – Esqueça os quadrinhos. Tudo bem, os primeiros filmes do X-men funcionaram e deram início a essa nova era de filmes de super-heróis por agradarem os fãs de quadrinhos. Mas elas não copiavam as histórias dos quadrinhos, apenas procuravam ser fiéis aos personagens. Funcionou com Deadpool e funciona com Logan.

Essas duas coisas (que a DC poderia aprender para salvar os seu universo cinematográfico do acidente chamado Zack Snyder)  deu liberdade aos criadores dos dois únicos filmes recentes da Fox que se sustentam: Deadpool é uma comédia boba e Wolverine um road movie sobre um herói em decadência física.

Livre para não seguir o modelo dos filmes anteriores, temos o Wolverine de volta à mesma condição de quando ele se tornou popular. Um personagem limitado e um herói (e pai) reticente, cheio de defeitos e vícios. Hugh Jackman ganhou um personagem para trabalhar e atuar além de acrobacias físicas, rosnados e a necessidade de mostrar o tórax cabeludo.

Um filme parece ter grande importância nesta mudança: Mad Max. O sucesso do filme com Charlize Theron e Tom Hardy, parece ter deixado claro que é possível ter sucesso com filmes mais violentos e Logan parece ser um Mad Max de super-herói. Afinal, é um road movie, é um cenário árido e temos uma personagem feminina no centro da história (afinal, quem é a melhor no que faz e o que faz não é nada agradável, é a X-23, não o Wolverine).

A história é essa: em um futuro qualquer, mutantes são raros e Logan sofrendo por que o seu fator de cura não aguenta mais lidar com o adamantium, tenta esconder e tomar conta do professor Xavier, que não consegue controlar mais seus poderes. Uma mulher o contrata para levar uma menina, Laura (X-23), para a fronteira com o Canadá. Ela está fugindo de um laboratório, onde foi criada usando o DNA do Wolverine e os seus donos, liderados por Donald Pierce, um ciborgue, tentam captura-la de volta.

Wolverine é reticente em ajudar Laura e o paralelo é feito com o filme Os Brutos Também Amam (Shane) que conta a história de um pistoleiro que não deseja mais matar ninguém e viver uma vida pacata, até que a família que o hospeda é ameaçada. Uma criança, o filho desta família, é o principal vetor para a mudança de atitude do pistoleiro.

Essa é a história, que abre espaço para muita ação e violência (um pouco demais, talvez), mas que no final, funciona. Wolverine tem um filme.

 

Confira a resenha “irmã” desta resenha: Review sem spoilers de Logan: o filme que o mutante sempre mereceu de Luciana D’Anunciação no Garota Geeks e ouça o X-Poilers, podcast sobre séries e filmes baseados em quadrinhos com a minha participação.


#logan #wolverine #xmen #shane #madmax #quadrinhos

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