Outro dia fui assistir a um filme que copiava o Star Wars original e por uma incrível coincidência também se chamava Star Wars. É claro, o Despertar da Força, que repete, quase na totalidade, o enredo e as situações do primeiro filme.

De certa forma, há uma justificativa para essa falta de originalidade: o fracasso relativo da trilogia que contou a origem do Darth Vader. Relativo, pois os filmes foram sucessos de bilheteria, mas falharam em agradar o público e mesmo os fãs mais radicais, já que não conseguiram contar uma boa história nem criar personagens que fossem interessantes ou que agradassem aos espectadores. Apenas serviu para gerar mais nostalgia.

Assim, J.J.Abrams decidiu arriscar o mínimo possível. O filme não é somente cheio de referências aos originais – isso seria menos um problema – mas tenta agradar aos fãs e permitir que antiga geração possa passar o bastão para nova geração. É um filme que diz “adeus, olá”. Tomaram cuidados em evitar o viés infantil que George Lucas fez a série seguir desde a introdução dos Ewoks e que foi intensificada com o infame Jar Jar. Também escolheram atores capazes de lidar com as cenas de humor e ação, no melhor estilo dos novos filmes da Marvel. Os personagens são muito básicos, mas nenhum deles chega a ser um Luke, um Darth Vader ou um Han Solo. Isso por que o filme é mais uma introdução para os próximos filmes do que um filme em si. Rey, Rylo e Finn ainda vão ser desenvolvidos – ou é isso que se espera.

Utilizar personagens tão simples, mas muito dinâmicos, foi um dos elementos que permitiu a ação a se desenvolver tão bem na trilogia original. Tentar aprofundar psicologicamente os personagens na trilogia da origem de Darth Vader apenas expôs a simplicidade e a transformou em superficialidade. No novo filme, a fórmula está de volta e a simplicidade politicamente correta dos personagens ajuda o funcionamento da ação e das gags cômicas.

Mas aí terminam os principais méritos do filme. Enquanto Han Solo cumpre o papel de mentor, veterano de guerra, que foi de Obi-Wan, ele funciona. Mas quando encontra a princesa Leia? Seus diálogos são tão frios, sem emoção e até a reação de Leia no final é estranha. Ela prefere abraçar uma estranha. É como se ela somente estivesse no filme para provocar uma sensação de segurança e familiaridade, como as fotos de família na cristaleira.

Se o filme é divertido? Sim, pois repete várias coisas que já funcionaram e já foram divertidas em 1977. Se vai conseguir funcionar melhor do que a última trilogia? É bem possível. Se vai servir para criar uma nova geração de heróis para a série? Talvez, mas para isso, o próximo filme vai ter de apresentar uma nova história ou tudo que restará será a saudade.


#starwars #guerranasestrelas #hansolo #jedi #odespertardaforça

Deixe seu comentário