Maio de 2017 é um mês que tem gerado grande expectativa, por causa do retorno de Twin Peaks. Mas enquanto Laura Palmer não morre novamente, duas outras séries já estão acontecendo e fazendo deste mês algo especial para as séries de televisão: a terceira temporada de Fargo e American Gods.

Depois falarei de Fargo, pois a série parece ter abandonado a comédia de humor negro e é ainda é cedo para entender bem onde a série está nos levando (mas estamos embarcando com a maior alegria, Noah Hawley está acontecendo mais uma vez). Por isso, vou dedicar-me à adaptação da novela de Neil Gaiman, Deuses Americanos, produzida por Bryan Fuller, o mesmo responsável por Hannibal.

Quem me acompanhou durante a exibição da série do canibal sabe que fiz muitos elogios aos aspectos técnicos da série. Podemos dizer que há distintamente um estilo Fuller. O visual é suntuoso, ligeiramente barroco, abusando das cores fortes (e do sangue) e dos detalhes para construir cenas específicas, quase que pinturas. Isso se repete em Deuses Americanos e podemos dizer que, ao contrário de Hannibal, Deuses Americanos é uma série de fantasia e essa suntuosidade se torna necessária para criar o clima de magia que série pede. O contraste com o visual urbano combina com o tema da série (para quem não notou ainda, a batalha entre os deuses modernos e os deuses antigos).

Outra coisa que se repete é a música. Você deve ter percebido algumas cenas, há um toque curto de algum instrumento de corda (não entendo nada sobre o assunto, mas vamos fingir que é realmente um instrumento de corda apenas para você poder reconhecer o que estou citando) e então uma pausa. Em outras cenas, várias notas rápidas, mas suaves de algum instrumento de percussão. São cenas em geral lentas em que algo relevante ou marcante está acontecendo. Quem assistiu Hannibal vai reconhecer na mesma hora.

American Gods parece melhor do Hannibal por que o livro de Gaiman é melhor. Claro, diante do prospecto de várias temporadas de American Gods (não é um romance tão grande assim, mas não podemos culpar Fuller por aproveitar o máximo cada situação criada por Gaiman) fico com o receio que outro elemento de Hannibal se repita: a série perder seu foco narrativo e se distanciar demais do material original.

Mas por enquanto, isso é algo impossível de dizer. Os espectadores (Hannibal era uma série que atingia um público restrito, pois era difícil digerir as aventuras do bom canibal cozinheiro) estão descobrindo o estilo Fuller e a paixão de contar histórias de Gaiman. Como bônus, cada capítulo apresentou pequenos contos sobre os deuses antigos chegando ou existindo na América. O meu favorito foi o de Anúbis. Verdadeiras cerejas no bolo.

Para quem gosta de séries, maio tem sido muito generoso. E Twin Peaks ainda nem chegou.

Quem quiser me ouvir falando de Punho de Ferro, Riverdale e outras séries e filmes baseados em HQs, basta clicar aqui e acompanhar o X-POILERS!


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