Chegou ao fim a primeira temporada de Deuses Americanos e agora todo mundo que estava tentando acompanhar a série lendo o livro ao mesmo tempo pode desistir. Não vale a pena esperar: a série está tomando um rumo diferente e, algumas vezes, chego a pensar se vai apresentar a mesma resolução.

Na coluna anterior já havíamos apontando certos elementos do episódio com Vulcano que modificariam de vez a história: o foco maior em Laura Moon, a espada forjada para matar deuses e a possibilidade dos antigos deuses se aliarem aos novos deuses e não com Wednesday.

No episódio final fica claro que as mudanças são definitivas e o impacto será ainda maior. Ainda não sei para o que serve a espada, mas a proeminência de Laura Moon vai alterando a história. Se no livro, fica claro que Wednesday manipula o destino de Shadow muito antes de ele ir para a cadeia, essa revelação é feita apenas no final da história, quando não há mais risco de Shadow abandonar Wednesday.

A guerra também é declarada pelos outros deuses antigos e o evento que inicia a guerra é de suma importância para o objetivo real de Wednesday e para o destino de Shadow. Ele ainda poderá ocorrer, mas fica a questão de como ele se encaixaria no plano/trapaça de Wednesday. E enfim, apesar do envolvimento de tantos deuses, nada que eles fazem parece ter um impacto tão direto no mundo mortal, ao menos nada tão brutal quanto a ação de Easter que dizimou toda a plantação em busca de adoração.

Temos ainda o maior envolvimento de Mad Sweeney e Bilquis, mas é difícil avaliar o impacto destas mudanças na narrativa.

Assim como na série Hannibal, Bryan Fuller começa a perder um pouco do foco quando não se apoia na base segura do material original. Mesmo que o encontro com Easter aconteça no livro, com linhas de diálogo semelhantes, o episódio se afasta da essência do livro. No Livro, há certa melancolia quando Easter é convencida que um feriado cristão usurpou o seu dia. No episódio final, tudo é muito cômico, inclusive – bem engraçado – com um Jesus Cristo sentindo-se incomodado por causar algum mal a alguém. Mas até esses muitos cristos trazem um problema. O que faz de Jesus algo diferente de Mad Sweeney ou Bilqis para Wednesday ou Mr.World? Ele também é uma divindade antiga que está sendo substituído pelas divindades modernas (note, que o chapéu de Mídia faz imita a auréola que Jesus ostenta. Espero que propositadamente). E por que, somente ele tem tantas versões – tão diferentes quanto os seus seguidores – e não os outros? Ou você acredita que todos adoradores de Odin adoraram exatamente o mesmo personagem?

Com isso, esse último episódio foi talvez o mais fraco de todos e ainda apresenta um problema sério. Talvez, quem vá assistir a série, daqui a alguns anos, com a coleção completa com todas as temporadas, nem perceba. Mas nós vamos ter de esperar um bom tempo antes do retorno da segunda temporada. E o episódio termina sem nenhuma intensidade, sem nenhuma oferta de continuidade. Não é necessário algum “cliffhanger” barato, mas o duelo entre Wednesday e Mídia repetiu diálogos já apresentados no primeiro encontro entre os dois e deixou aquela sensação de anticlímax e não de uma história que está planejando um apocalipse.

Isto é claro, se ainda se tratar de uma adaptação dos Deuses Americanos de Neil Gaiman em 2018.

Quem quiser me ouvir falando de séries e filmes baseados em HQs, basta clicar aqui e acompanhar o X-POILERS!


#neilgaiman #deusesamericanos

Deixe seu comentário