Eu não vou cansar de repetir que Jaime é o personagem mais interessante de Game of Thrones. Em quase toda cena, você consegue perceber, mesmo com muito pouco, o conflito constante que ele sofre desde o momento em que decidiu matar o rei louco e aguentar sobre os ombros todo o peso de ser um traidor e ao mesmo tempo tomar uma decisão honrada. O peso de ser Lannister, eu suponho. Muito do mérito é do ator Nikolaj Coster Waldau, que consegue mostrar na mesma expressão facil o amor e a repulsa pela irmã. No último episódio, é dele novamente a melhor cena, quando vence com facilidade os Tyrells, mas acaba sendo mais uma vez  desnudado de todos os louros da vitória por Olenna Tyrell quando esta destroça a armadura brilhante com a revelação sobre a morte de Jeoffrey, depois de jogar na cara dele algumas verdades sobre Cersei.

Por outro lado, alguns personagens são tão superficiais e somente devem o seu sucesso a algum tipo de desejo secreto dos autores da série. O caso mais emblemático é Littlefinger. O seu arquetípico é óbvio: o cínico cara de fuinha manipulador. Eles existem em quase todos universos de fantasia. Creio que existem em todas as mesas de Dungeons e Dragons. Eles funcionam, podem ser cínicos, impulsionam a história, etc. Afinal, o que seria de Aladim sem Jaffar?

Mas Littlefinger não funciona. Seus planos são óbvios e todas as personagens sabem que ele não é confiável, ainda assim, no momento em que ele começa com algum estratagema, todos os personagens parecem desligar o cérebro e caem como patinhos nas tramas de Littlefinger.  Sansa cair nessas tramas é normal, afinal ela era uma sonsa, mas faça uma lista de adultos que ele manipulou sem que nenhum deles resolva devolver o favor com uma garganta bem cortada. É grande demais.

O pior é que tentam vender a ideia de que ele é esperto – o próprio Maquiavel – quando os seus conselhos se parecem mais com aqueles conselhos que você encontra em biscoitinhos da sorte chineses. Neste momento da série, ele fica atrás de Sansa implorando para ela dar uma mordidinha – que ela recusa – e ainda assim insiste “Seja amigo de todos, seja inimigos de todos”. Mesmo? Sabe quem consegue sobreviver por muito tempo assim? Apenas quem é tão irrelevante que ninguém convida nem para festa de aniversário ou não valha a pena mandar jogar do alto de uma ponte. Amigo e inimigo de ninguém é ninguém.

Pode ser que um destino cruel aguarde Littlefinger e isso sirva como cartasse (como a que aconteceu com Ramsey) para a audiência, mas ele já durou demais. Ainda mais considerando a ânsia que a série tem em eliminar personagens, especialmente nesta temporada (afinal, nem a cada vez mais confusa geografia e cronologia da série justifica a facilidade com que os Tyrells foram eliminados) para focar no relacionamento Daenerys/Jon e Cersei/Jamie, estes sim, construídos com cuidado, tentando aproveitar o que de melhor os personagens podem oferecer e significam.

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