Você vai jogar Dungeons and Dragons: Game of Thrones.

Primeiro, você e os outros jogadores criam um grupo nem sempre unido, mas heterogêneo de aventureiros que aceitam participar de uma aventura. Digamos: viajar pelo cenário congelado além da muralha para capturar um morto-vivo.

Cada um de vocês tem mais ou menos algumas características marcantes: um pode ser mal-humorado e ter o apelido de Hound. Para parecer mais ameaçador, ele tem queimaduras de um lado do rosto. Outro é ruivo, tosco e quer falar de sexo. Temos alguns mais nobres: um veterano e um jovem com uma espada especial. Um é um clérigo bebum e outro um imortal com uma espada flamejante e um tanto quanto cínico. Eles interagem um pouco enquanto os jogadores comem pedaços de pizza e tomam refrigerante.

Então, o encontro randômico. Um urso polar morto-vivo. O mestre havia colocado uns NPCs para dar credibilidade e começa a mata-los (são de nível 1, então morrem fácil), mas o clérigo acaba ferido.

Para aquecer um pouco, um encontro com um grupo de mortos-vivos com um mini-boss que só pode ser morto pela arma mágica que um dos personagens tem. O mini-boss é morto e ao morrer outros mortos-vivos morrem. É uma fraqueza que você mostra para, um dia, na continuação da aventura, possa ser usado pelos jogadores. Eles capturam um morto-vivo, mas não seria tão fácil. Na descrição da criatura está escrito que ela pode gritar e chamar outros mortos-vivos. Vocês espera que os jogadores fujam e deixem de lado aquele morto-vivo, mas eles, como todo jogador, querem combate para ganhar XP e passar do nível. Ou invés de fugir, eles mandam o mais novato deles, que acabou de entrar no jogo, correr sem sua arma para chamar um NPC aliado poderoso que controla três dragões e decidem enfrentar um exército gigantesco.

O Dungeon Master (o mestre, DM) fecha a cara. Jogadores burros. Eles vão todos morrer. É preciso ajudar. Você ajuda fazendo com que o gelo sobre um lago quebre, impedindo que o exército de mortos-vivos se aproxime deles. Pena que o clérigo não passa no rolamento e morre com o frio. Tudo bem, era um clérigo que nunca decorava magia de cura, só de ressureição e pagou por isso.

Mas a situação é preocupante. O DM deixa que o novato chegue até um forte e envie uma mensagem para o NPC. Em um jogo de RPG esse negócio de distância não tem muito significado: as coisas acontecem quando e onde o mestre quer. Mas um dos players faz bobagem e você é obrigado a começar o ataque. Tudo bem, na hora certa o NPC aparece e booom, salva todo mundo. Mas aquele personagem faz outra burrada. Ele quer ficar brigando e não vai fugir. O Mestre aproveita para matar m dragão com um rolamento atrás do escudo para ver se o cara desconfia. Mas ele continua. Ai é demais, os outros fogem e ele vai morrer afogado.

Mas o mestre lembra que esse jogador é exatamente o jogador que recebeu os itens e seguidores para dar continuidade à aventura e precisa que ele escape. Como? Ele sai dá água congelada e é resgatado por um NPC ex machina e ainda ganha um cavalo. A namorada do mestre está um pouco irritada, pois ele a deixou de fora (para não correr riscos) do combate e só fez uma cena com outra NPC e resolveu ser caótica, nada o que uma conversa não resolva. Os jogadores estão empolgados, a sessão foi divertida, mas o DM desconfia que nenhum deles aprendeu a não fazer bobagem. Tudo bem, o objetivo é só diversão mesmo.

Assim foi o último episódio de Game of Thrones. Esqueçam qualquer lógica que não seja a adaptação de uma sessão de Dungeon & Dragons para a televisão. É esse o jogo que você está jogando.

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