Steven Spielberg é o principal acontecimento de Hollywood das últimas décadas. Pode-se falar de outros exemplos, como  George Lucas, e Star Wars, mas é Spielberg o diretor que conseguiu capturar a atenção do espectador com maior sucesso nos últimos anos. Muito por mesclar aprendizados bem práticos: Hollywood sempre teve diretores com grande domínio técnico que sabiam manipular o olhar do público, Hitchcock o principal deles. Ao mesmo tempo em que é um grande seguidor de Hitchcock, Spielberg nasceu de um meio audiovisual de recursos limitados (a televisão) e aprendeu a usar essa técnica para solucionar problemas: é didática a história de Tubarão. Quando a tecnologia falhou em produzir o tubarão assustador saltando na tela, Spielberg escondeu o bicho desviando a câmara do mar. O resultado todos sabemos: o que poderia ser um filme de horror barato e esquecível, tornou-se uma das principais obras de horror do cinema.

Ou seja, há uma lição aí: na hora de fazer o filme, Spielberg, apesar da fama e do dinheiro, confia mais na técnica do que na tecnologia. É um dos segredos do seu sucesso e que muitos dos seus “seguidores” não aprenderam: Michael Bay, James Cameron e tantos outros que preferem fazer saltar na tela os efeitos visuais.

A influência de Spielberg é clara e agora, que a televisão está cheia da grana, podemos ver o que há de melhor e pior especialmente na série mais “espetacular”, que é o Game of Thrones, especialmente no último episódio.

Ficou claro nos primeiros episódios da temporada que eles limparam o tabuleiro dos peões (Tyrells, Dorne, etc) para condensar a narrativa em um foco (Daenerys/Jon e Cersei/Jamie) e também economizar um pouco. É evidente que eles precisavam de dinheiro, pois os dragões demandariam bons efeitos especiais e fica mais claro que a batalha que acontece na segunda parte do episódio exigiu muitos cuidados, pois ela é muito ambiciosa. Afinal, procuraram de referência o realismo e o olhar (do ponto de vista dos soldados) que Spielberg usou no Resgate do Soldado Ryan. É sem dúvida um dos maiores acertos da série. Acerto ainda maior quando temos de seguir o melhor personagem da série: Jamie Lannister.

Mais uma vez, Nikolaj Coster-Waldau valoriza cada momento em que ele está na tela. Jamie é orgulhoso, é um Lannister, mas é humano. Se ele enrola Bronn, e para alguns seria jeito manipulador Lannister de ser, para mim é o Jamie que se sente confortável na batalha (bem mais do na cama da irmã) e que considera Bronn um irmão em armas. Bem mais do que Tyrion, que não entende o irmão. Jamie não é idiota por tentar matar Daenerys e se arriscar a morrer tostado. Ele somente poderia ser um idiota se não soubesse os riscos que estava enfrentando. Ele sabia e até parecia mais leve, sem sentir o peso no ombro de estar nos livros de histórias e não nas Estórias, como Guimarães Rosa faria questão de diferenciar.

É verdade que outros personagens têm seu momento de desenvolvimento, antes da aparição mágica da cavalaria Dothkari, nós vemos que toda bondade de Daenerys se dissipa diante da possibilidade de derrota e ela precisa de um Zé Ninguém (assim os antigos tradutores das revistinhas da Abril traduziriam Jon Snow) para lembra-la da diferença clássica entre um ditador e um tirano. É uma lição de moral que soa bem mais forte vinda de Jon Snow do que soaria vinda de Varys, que ao contrário de Jon se sente muito bem com o poder. É claro, o desconfiado Davos parece estar atrás de Missandei. E Arya (esta personagem é como a namorada do Dungeon Master em uma mesa de Dungeons & Dragons que ganhou níveis, habilidades e itens para sobreviver melhor de presente) parece estar aumentando a lista dela com certo dedinho. Pode ser justiça poética vê-lo morrer com a mesma adaga que deu de presente para o frio e distante Bran. Acho que Sansa também piscou duas vezes ao perceber que tem em casa uma assassina interessada em matar Cersei, mas nenhum destes personagens funciona tão bem quanto Jamie. Muitos motivos: o talento do ator e talvez, um drama mais interessante, afinal, ou ele se redime ou é assim, George Lucas, que cavaleiros caem e se tornam vilões.

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