Não foram 25 anos, mas a maquina de divulgação aumentou a expectativa em torno do retorno de Game of Thrones para sua sétima e penúltima temporada. A perspectiva de uma resolução e a existência de um final também animaram os fãs da série, acidentalmente, baseada em um livro ainda não escrito. Mas quando o primeiro episódio acabou, a sensação que tive foi a de que ainda estávamos na fase dos teasers e vídeos promocionais e que apenas no domingo que vem, uma nova temporada vai ter início.

Essa sensação se deve ao fato de que neste episódio muito pouco aconteceu que não havia acontecido antes. No final da temporada anterior, Daenerys está chegando com seus navios. Daenerys continua chegando. Eventualmente, ela aporta, encontra uma fortaleza abandonada e nada mais. Jon Snow terminou a temporada reforjando as antigas alianças dos Starks com os nobres do norte, contando com o apoio de Lyanna Mormont. Jon Snow continua reforjando as alianças e recebendo o apoio de Lyanna Mormont. A agora cínica e cruel Sansa criticava o lado “bonzinho” de Jon e repelia as insinuações nem um pouco camufladas de Littlefinger. Sansa continua criticando Jon Snow e repelindo sabiamente Littlefinger (mas continua um pouco sonsa, afinal, se os outros Starks morreram por sua fé em alianças com aliados nem sempre confiáveis, Geoffrey e Ramsay morreram por suas incapacidades de honrarem essas alianças e aliados. Não há uma fórmula, Sansa). Arya se vingou de Walder Frey. Arya termina sua vingança, de uma maneira muito similar, matando o resto dos Freys. Os mortos estavam chegando. Eles continuam chegando, até mesmo na visão de Clegane.

Mesmo quando temos alguns avanços, são mínimos. Jamie e Cersei finalmente conversam, mas por qual motivo? Para Jamie recapitular por minutos a situação precária dos Lannisters. O avanço é que quase vemos Jamie sacar sua espada para acrescentar a acunha de Queenslayer ao seu portfólio, pois ele certamente está reconhecendo os traços de loucura que uma vez o fez agir. Isso é na verdade o melhor momento do episódio e uma marca do bom trabalho feito por Nikolaj Coster-Waldau, que consegue dar vida ao conflito do personagem, de longe o mais interessante da série de TV. Até mesmo a descoberta da montanha de dragonglass debaixo de Dragonstone, que Tarly faz é muito pouco. Importante, sem dúvida, provavelmente essa informação levará Jon a entrar em contato com Daenerys, etc, mas ainda assim muito pouco.

A principal mudança foi certo discurso feminista introduzido por Lyanna Mormont e Jon Snow (mesmo quando a série permitia algo nesse sentido, pois Cersei tinha esse potencial, a série nunca assumiu essa faceta). Talvez a crítica ao tratamento feito às personagens femininas, um pouco recorrente nas temporadas anteriores, tenha encontrado espaço nos autores e afinal, eles foram obrigados a lidar com o fato de que, de todos os líderes envolvidos nesta guerra (menores e maiores), Jon e Theon Greyfoy são os únicos homens. Daenerys, Cersei, Arya, Sansa, Olenna , Ellaria são todas mulheres. E é claro, não houve nudez neste episódio.

Os fãs podem não se importar e certamente a cena inicial, a vingança de Arya, vai causar wows e ohs, mas é repetitiva e sem importância. A vingança pelo assassinato da mãe e do irmão já havia sido feita. Agora, foi apenas produzir um pouco de satisfação para os fãs e procurar impacto pela violência, afinal, o que importa se ela matou um bando de figurantes que você nunca viu antes?

De maneira geral, o episódio pareceu com uma série de teasers individuais para cada personagem entrelaçados, como será a história de agora em diante. Sei que passou um bom tempo e que, em geral, costuma-se refrescar a memória da audiência. Mas será tão necessário assim, considerando que as reprises da temporada anterior estavam sendo transmitidas pela própria HBO algumas horas antes?

É curioso, que enquanto Game of Thrones passava, Showtime apresentava mais um capítulo do Retorno de Twin Peaks. Um capítulo de uma série dedicada a mostrar que existem formas de contar uma história, de perspectivas e tempo de narrativa (e até mesmo do uso de violência e nudez) e que parece estar dizendo: “Existe outro jeito, amigos, tentem”. Falando para Hollywood, Lynch se pareceria com um rebelde contra o sistema, mas na televisão? Ele é o pai dessas séries todas. Tem toda moral para falar, especialmente quando ele não faz discurso, mas dá o exemplo toda virada de domingo para segunda a cada novo episódio.

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