Eu poderia dizer: nós já estivemos aqui antes e isso poderia ser usado como uma referência aos reencontros de Ária primeiro com Hot Pie e depois com Nymeria, mas não, nós estivemos aqui antes por causa da forma confusa e desproporcional que a série tem lidado com o tempo e o espaço desde a temporada passada. Chega a ser engraçado pensar que alguns personagens se movem pelo continente com a mesma facilidade que Cersei caminhou sobre aquele mapa que ela mandou pintar. É hora de alguém comentar: Westeros é uma roça grande.

Neste episódio, eles até tentaram passar a noção de as cenas não acontecem paralelamente e que muito tempo passou entre cada uma delas, quando Jon Snow comenta sobre as duas mensagens que recebeu, mas isso não adianta muito se os personagens parecem agir como se estivessem saltando de uma cena para outra em questões de minutos, afinal, qual o motivo de diálogos como o que aconteceu entre Daenerys e Varys ou Yara e Ellaria (aquela cena gratuita que entra na lista dos momentos embaraçosos da história de Dorne na série de TV), que parecem sugerir que os personagens estão juntos há pouco tempo.

Um dos problemas que isso acarreta é que as cenas de ação saltam na tela sem uma construção prévia. De repente, temos a reunião familiar dos Grejoys. Não sabemos como Euron encontrou Yara, como conseguiu se aproximar, onde estão as defesas de Dorne e Yara – afinal ,eram forças que teriam poder para sitiar King’s Landing – e como mais uma vez, uma força militar massiva surge do nada de maneira conveniente sem que os adversários percebam o que está acontecendo. Não é só Littlefinger que tem esse poder, aparentemente.

É verdade que não é necessário mostrar tudo que acontece em uma narrativa e a audiência pode preencher as lacunas, mas você precisa de certo timing para criar a tensão e expectativa. O que tivemos foi uma cena de ação intensa, confusa, sem graça com um pseudo-Errol Flynn, com algumas mortes gratuitas para a conveniência do enredo. Compare por exemplo com a cena da vingança de Ária (a original, da temporada passada). Não contar todo o processo fez sentido, pois a surpresa (tão surpresa quanto festas de aniversário, mas era o tom correto a ser utilizado, afinal ela é uma assassina, não um pirata) era necessária. Não neste caso, que é basicamente uma ação militar.

Se a série vai escolher um ritmo intenso,frenético, para mostrar a guerra entre Cersei e Daenerys/Jon, ela tem de ser consistente. Ao mesmo tempo em que dois importantes aliados de Daenerys são eliminados (ou aparentemente) tão facilmente, o relacionamento de Jon e Daenerys é construído vagarosamente. Os motivos para Jon se submeter à Daenerys (como se não bastasse o fato de que ela é uma aliada contra um inimigo comum, aprenda política Sansa) são discutidos, os motivos para Daenerys considerar Jon são apresentados (Tyrion e Melisandre fazem isso) e ainda temos a construção do relacionamento entre dois braços direitos de cada um deles: Sam e Sor Joran. Do jeito que foi mostrado, parece que precisavam se livrar de Dorne o mais rapidamente possível  (Ellaria deverá ser o presentinho de Euron para Cersei em uma possível cena de violência e loucura para Jamie se convencer cada vez mais do que sua irmã já era, apesar dele também ter bons motivos para aproveitar o momento).

No mais, a temporada verdadeiramente começou. Quer dizer, a gente sabe que vai terminar em fogo, por que a arma anti-dragão dos Lannisters passa a mesma confiança de um sujeito parando um caça militar com um buldogue (mas claramente, vai matar ao menos um dragão afinal…temos um dragão incontrolável na história).

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