Depois de mais dois episódios de Twin Peaks, começamos a ter uma história no sentido tradicional: Agente Cooper tem de escapar de sua prisão no Black Lodge, mas o seu clone maligno não tem a menor vontade de facilitar a sua vida. Porém, Cooper acaba conseguindo escapar quando ele é trocado de lugar com outro clone, que parece ter sido feito exatamente por alguém para enganar o Black Lodge e a dar a Kyle Maclachlan a chance de usar mais um penteado ridículo.  A troca tem efeitos colaterais: Cooper torna-se um idiota que mal consegue repetir algumas palavras, mas é guiado por uma flama que só ele pode ver, e fica rico em um cassino. Enquanto isso, o clone maligno dele é preso por porte de armas e drogas e com isso o FBI é chamado e temos o retorno de Gordon Cole e Albert.

Mais uma vez, a cidade de Twin Peaks é apenas uma menção feita durante a série: desta vez temos o encontro de Bobby Briggs, conhecemos o filho de Andy e Lucy, e o irmão do xerife Truman, que também é chamado de xerife Truman. Talvez o ponto mais importante tenha sido a reação de Bobby ao ver uma foto – a famosa foto de Laura Palmer – e as lembranças que a imagem causou . Mais uma vez temos a impressão que a morte de Laura deixou um impacto emocional nos habitantes na cidade (ao menos, naqueles envolvidos com a situação).

Sabemos que nos bolsos do Agente Cooper há uma chave do grande hotel em Twin Peaks e não deixo de imaginar se essa chave não será o item que levará Cooper de volta à cidade. Mas por enquanto é isso, mais dois episódios que Lynch faz o que quer enquanto vai espalhando aos poucos os novos personagens e os mistérios desta nova série, curiosamente chamada de Twin Peaks.

Deuses Americanos

É interessante notar que as mudanças feitas pela série de televisão em relação ao livro de Neil Gaiman estão começando a se tornar mais relevantes. Até que ponto isto vai interferir na história ainda é uma incógnita, mas o maior desenvolvimento da personagem Laura, pode ser um fator importante no futuro. No livro, ela tem um papel similar, mas agora ela uma personagem mais complexa, a sua nova situação funciona como um contraste com a falta de interesse que ela tinha pela vida enquanto vivia. O importante é que uma das motivações de Shadow no livro é encontrar uma forma de revivê-la – é um pedido que ela faz – e isso parece ser algo que ele é capaz de fazer já por si só na série, já que sua proximidade faz com que o coração de Laura volte a funcionar por alguns segundos.

Laura também parece estar mais interessada em proteger Shadow, no livro ela também tem esse interesse, mas a sua condição (ela não recebeu os cuidados de Anúbis no livro) faz com que ela evite Shadow. Eles foram separados novamente pelo acaso e é interessante descobrir qual será a sua reação a partir de agora.

Por outro lado, o encontro entre Wednesday e o Senhor Mundo também parece indicar uma mudança significante, pois acontece muito antes do que acontece no livro e também transcorre de maneira diferente, com resultados completamente diferentes. Esse encontro – nada impede que um novo encontro ocorra no futuro – é um momento importante para a história no livro e se a resolução final da série for o mesmo, parece que perdeu um pouco de sentido na série de televisão.

Talvez seja intenção da série ampliar a participação de Laura e focar no lado “road movie” de Deuses Americanos, que na segunda metade do livro é um pouco abandonada, quando Shadow se ocupa com mistérios de uma cidadezinha que podem ser facilmente removidos do livro para enxugar a série. Fuller fez mudanças consideráveis quando adaptou Hannibal, mesclando personagens e tramas para enxugar a série, quando o seu cancelamento foi anunciado. Não seria estranho ver o mesmo acontecendo com Deuses Americanos.

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